Fazendo um contraponto à homofobia – Larissa Montenegro

Fazendo um contraponto à homofobia

- por Larissa Montenegro* com contribuições de Camila Lopes, Rafael Digal e Fernando Maia

A despeito deste momento eleitoral que nos sobrecarrega, temos de nos planejar para atividades dos movimentos sociais. Essas atividades são fundamentais para a mudança de sociedade que nós queremos, em direção a construção de um mundo que respeite a diversidade e sem diferenças de classe.

Os feriados de modo geral são momentos importantes para integração das pessoas e diversão, neste contexto de mundo moderno capitalista onde as relações pessoais são quase sempre secundarizadas em nome das nossas milhares de obrigações semanais. Muitas vezes viajamos com familiares, amigos e até desconhecidos para conseguir aproveitar com o máximo de sucesso possível este tempo livre fazendo coisas que não temos tempo de fazer cotidianamente. Esses momentos também se destacam como ótimas oportunidades para a organização dos movimentos sociais.

Nós, enquanto movimento, muitas vezes aproveitamos este tempo para organizar nossas lutas e nos instrumentalizar coletivamente para os embates cotidianos contra as opressões sociais aprofundadas pelo capitalismo, sejam elas de classe, gênero, etnia, ou de qualquer outra ordem.

O Brasil é um dos campeões ocidentais de assassinato por discriminação homofóbica. Só no ano passado pelo menos 198 pessoas foram assassinadas em virtude de sua orientação sexual e nas ruas e nos meios de comunicação são quase incontáveis as manifestações de homofobia que são sofridas pelas pessoas não-heterossexuais todos os dias.

Infelizmente, em virtude deste quadro de preconceito disseminado pelo Brasil, nas nossas universidades os LGBTs não ficam livres das mazelas da homofobia. Apenas considerando o último mês, foram divulgadas nacionalmente um caso de homofobia (neste texto usarei homofobia para designar todas as LGBTfobia) contra um grupo de militantes LGBT na UFRJ e placas pedindo morte a essa “sub-raça” na UFBA. É para combater este tipo de atitude que nós do Contraponto compomos e estimulamos a criação de núcleos de militância LGBT nas universidades, contribuindo cotidianamente para a luta contra ataques de natureza preconceituosa.

Neste sentido, com o ENUDS (Encontro Nacional Universitário de Diversidade Sexual) que acontecerá de 08 a 12 de outubro na UNICAMP – Campinas/SP, teremos uma oportunidade preciosa, principalmente aqueles com uma vontade militante a mais, para debater temas interessantes relacionados à diversidade sexual e de gênero, que são em geral subalternizados ou até ignorados nas nossas universidades.

Esses encontros existem desde 2003 e neste oitavo, cujo tema é Assimilação x Transformação: políticas da subversão e ciladas dos movimentos sociais, pretende-se problematizar a relação entre os movimentos sociais de luta contra a homofobia e as conquistas em relação ao poder público na afirmação de direitos dos LGBTs que muitas vezes são negados na conjuntura atual.

A preocupação é estimular a academia a fazer discussões sobre diversidade sexual relacionando-a a múltiplos marcadores de diferenças como classe, raça, etnia, idade, entre outros, para com isso questionar a nossa realidade opressora e contribuir para o fim das discriminações de gênero.

Mesmo considerando-se o formato um tanto quanto acadêmico e não adequado ao “modelo militante” do encontro, no sentido em que o ENUDS não é um encontro deliberativo, o papel deste de instrumentalizar @s militantes, independente da sua orientação sexual, no debate contra a discriminação de gênero e homofobia é fundamental, por isso, convidamos tod@s ao ENUDS! Venha conosco construir uma universidade sem homofobia!

*Larissa Montenegro faz História na UCSAL e Ciências Sociais na UFBA, e é militante do Contraponto

Informações sobre o VIII ENUDS:

Site:enuds.identidade.org.br

Blog: http://8enuds.blogspot.com/

E-mail: enuds8@gmail.com

Twitter: @enuds

Informações complementares:

Como surgiu o ENUDS?
“Em julho de 2003, realizou-se no 49o. CONUNE um ato protesto contra a homofobia dentro dos fóruns do Movimento Estudantil, mais precisamente no 24a. CONUEE, quando o grupo PRISMA do DCE da USP havia sido convidado pelo presidente da UEE, representado pelo estudante de Letras da USP, a fazer uma fala sobre a importância e a necessidade de se debater sobre a diversidade sexual dentro do movimento estudantil para os estudantes congressistas presentes, sendo posteriormente desrespeitado pelo mesmo que o convidou, não permitindo que esse falasse. Tal fato tornou-se conhecido por diversos estudantes do Brasil inteiro que resolveram realizar em Goiânia uma palestra e uma passeata como protesto ao ocorrido.
Dado o sucesso desse ato e a enorme participação de estudantes de todo o Brasil nesse ato, decidiu-se realizar um encontro nesse mesmo ano entre estudantes de diversas universidades de nosso país para buscar traçar uma atuação de debates e ações comuns dentro da comunidade universitária nacional. Em setembro, realizou-se, então, o I pré Encontro GLBTT Universitário, na Universidade de São Paulo, campus da capital, organizado pelo grupo PRISMA e a direção do DCE gestão “Borandá”, para definir o I Encontro e toda a sua estrutura, como também seu caráter político e acadêmico. Em novembro, concretizou-se essa realização, batizado como ENUDS, a sua primeira edição organizada pelo grupo CELLOS de BH.
Como caráter político e acadêmico, definiu-se a criação desse encontro para que anualmente se debatesse as diversas formas teóricas de se fomentar essa discussão dentro da Universidade. Decidiu-se, então, que esse Encontro teria como objetivo fomentar a criação de grupos locais em Universidades públicas e privadas que pudessem, aos moldes dos grupos já existentes, (PRISMA – DCE – USP, DIVERSIDADE – UNICAMP, CELLOS – BH e Gen[é]r[ic]o – UNESP) propondo à comunidade acadêmica o debate, como também a pesquisa em torno do tema Diversidade Sexual.” (http://cellos.blogspot.com/)
Sobre o caso de homofobia na UFRJ http://oglobo.globo.com/megazine/mat/2010/09/27/estudantes-gays-sao-vitimas-de-homofobia-no-alojamento-da-ufrj-no-fundao-922109184.asp
Sobre o caso de homofobia na UFBA http://forumbaianolgbt.blogspot.com/2010/09/diretoria-lgbt-do-dce-ufba-lanca-nota.html

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